Esse é um texto que eu escrevi há algum tempo. Estava guardado nas entranhas da mente...
(Um garoto está sentado num banco de uma praça. Um menino se aproxima e senta-se ao seu lado. Nunca o vira por ali, por isso puxa conversa.)
1 Olá!
2 (meio tímido) Oi...
1 Bonito esse seu boné, comprou aonde?
2 Achei no meio das coisas de meu pai...
1 Hum...Eu estudo na escola ali da esquina, você estuda em qual escola?
2 Escola? Nunca entrei numa escola. Estudo em casa, na biblioteca de meus pais...
1 (impressionado) Nossa! Seus pais têm uma biblioteca em casa!! Quantos livros há nela???
2 Milhares, não sei ao certo. Mas é uma biblioteca enorme, cheia de livros sobre arte, literatura, filosofia, ciências...
1 Mas você já não tem idade para estudar numa escola? Quantos anos você tem?
2 (meio perdido) Não sei...
1 Como não sabe?
2 Na verdade nenhum...
1 E como pode alguém não ter nenhum ano?? (em pensamento) Bom, deixa pra lá, ás vezes ele não quer falar, deve ser bem mais velho e ficou com vergonha em me dizer... Bom, eu me chamo Alex, e você?
2 Não sei... não tenho nome, na verdade nem tenho como ter nome. Eu ainda não nasci.
1 (desconfiado) Não nasceu? Isso é algum tipo de brincadeira ou algo parecido? Você está tirando com a minha cara, por acaso?
2 Não, não é brincadeira não, nem estou tirando sarro da sua cara. Você me pareceu ser um garoto bem legal. Mas é que eu ainda não nasci, oras.
1 Não estou entendendo...
2 Meus pais ainda não me tiveram, minha mãe nem está grávida ainda. Isso é se algum dia eu for nascer.
1 (confuso) Mas eu te vejo...estou falando com você...como pode você não existir???
2 Ué, podendo...Você não vê o ar, mas sabe que ele existe, assim como o universo. É meio que a mesma coisa,só que ao contrário...Se meus pais tiverem um filho, eu seria assim...
1 (sem pensar se o que está perguntando tem lógica) E quem você puxou mais, seu pai ou sua mãe?
2 Acho que os dois...Tenho os cabelos loiros de meu pai, os olhos e o queixou são de minha mãe. E o nariz... bom o nariz uns dizem ser o do meu pai, outros dizem que é igualzinho o da minha mãe. Mas eu não ligo, na verdade eles têm narizes parecidos.
1 E quanto a boca?
2 Ah! A boca é de meu pai...
1 Mas o que você vai fazer até você nascer?
2 Isso é, se eu nascer...Mas então, eu vou continuar fazendo o que sempre faço...ler. E quando nascer já serei tão inteligente quanto meus pais...
1 Boa sorte para você!!
(1 olha o vento dançar com as folhas das árvores. Ao voltar a olhar o banco, vê que o menino que estava ao seu lado sumiu. Teria ele imaginado tudo?? Cai o pano)
2 comentários:
Oi,Ka!
Olha,minha irmã é dramaturga e eu não sabia,hahahaha
Mto legal essa peça!Gostei!
Principalmente do final,que o menino fica olhando o vento dançar com as folhas!Eu adoro o vento!
Continue escrevendo mais coisas nesse estilo,vc tem talento!
Bjokas!!!
Acho que não tem muito nexo o que eu vou comentar... mas é que, no começo, eu tive a impressão de que sua discussão tomaria um rumo que me fez lembrar da música Gentileza, da Marisa Monte, especificamente da parte "Por isso eu pergunto a vocês no mundo se é mais inteligente o livro ou a sabedoria."
Ah, tudo bem, a vida também não tem muito nexo! =D
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