20 de set. de 2009
Como cenas de cinema
O encontro meio furtivo na rua. Cumprimentaram-se discretamente, embora a vontade de agarrá-lo falasse mais alto. Caminharam até o carro. Pararam no mercado mais próximo. Compraram vinho e, mesmo com o desejo de se atracarem ali mesmo, mantiveram a discrição, controlaram os impulsos. Somente alguns carinhos com as mãos. Pouco a pouco foram cedendo à amatividade e no caminho para a casa, as carícias aumentaram. Entraram na casa antiga de ares fantasmagóricos. Nesse momento, não havia mais como suplantar seus instintos animalescos: os corpos contra a parede da sala, as roupas no chão, a respiração ofegante. Subiram. Foram até o quarto. O colchão no chão, palco de sua volúpia. Desceram, e na cozinha abriram o vinho argentino. Ele, o corpo nu, em pé encostado na pia. Diante dele, ela, o corpo nu, sentada num banco de plástico. A cada gole da bebida dionisíaca, uma pergunta. Estavam se conhecendo. Ela observava e absorvia todas aquelas palavras que ele proferia. Ele falava demais. Ela gosta. Um percurso entre sala, cozinha, taça de vinho, mitologia, piratas, quarto e o desejo sobre a pele novamente os domina. Os gemidos ressoam por toda alcova. As línguas como em transe dançam livremente ao léu dos prazeres. Confidências. Caimbra. A mancha de vinho no tapete. O barulho da chuva ao longe anunciando que a noite chegara ao fim. Ela só de botas. Ele gosta. Desceram. Vestiram-se. Um único guarda-chuva. Motivo para andarem abraçados até o carro. Pararam. Ela abriu a porta do carro, e após um beijo, saltou. Ele seguiu caminho, enquanto ela flutuava naquelas impressões. E um desejo de não voltar a realidade encheu seu peito...
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3 comentários:
uma linda cena de cinema!
beijo
Eu ja senti o desejo sob a pele ... coisas entranhas acontecem ...
vc bem sabe ...
PS:
e agora ? continuo... paro ... digo não digo ... faço não faço ... cada vez mais galopo na corcunda da vida ... e me deixo e me perco ...(só pra constar)
Aquela vontade de fazer parte...
"Por entre os ramos
O clarão da lua
Irreal
Conta uma profunda
Fábula..."
Adequado, não?
À volúpia, por meu Santo James Dean:
"Um ator precisa interpretar a vida, e para fazer isso deve querer aceitar todas as experiências que a vida tem a oferecer. Na verdade, ele tem procurar mais coisas da vida do que a vida lhe oferece"
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