6 de mar. de 2010

auto-destruição ou sublimação?

Ela sabia que aquela não era a escolha mais sábia, talvez nem sensata de se fazer naquele momento. Sabia que iria se machucar, como sempre, pois não conhecia outra maneira a não ser a entrega total, o mergulhar de cabeça, o sangue aflorando à pele.
Mas sabia que aquela era escolha que deveria fazer. Não se arrependeria pelo caminho seguido, talvez só a dor do fim é que lhe marcaria o peito, deixando feridas que não cicatrizaraim. Mas seu coração já estava calejado. "Estoy de ti vacunada". E por meses foi vivendo assim, cada dia como se fosse o último, a adrenalina do incerto e o desconhecimento do fim a alimentavam mais e mais.
Quando o amor irradiou-lhe todo corpo, pois sim, sabia que amaria, não foi capaz de detê-lo, e derrotada, jogou à mesa sua última cartada, seu às de copas; e, numa nuvem cintilante, transformou-se numa estrela no poente.

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