21 de abr. de 2010

Infância

Era uma vez uma menina. Anita era seu nome. Era pequenina, de pele clarinha, cabelos dourados e cacheados, quase uma boneca de porcelana. Passava as tardes em casa, sozinha, brincando com seu ursinho de pelúcia, ou no jardim, onde imaginava ser uma fada. A menina tinha poucos amigos de carne e osso, pois viva num mundo só seu, cheio de seres encantados! Conversava sozinha, e sonhava. Sonhava muito. Não sabia viver de outra maneira, tinha uma imaginação muito fértil. Entristecia-se quando chegava o fim do dia, e era hora de "voltar para a realidade". Mas ficava feliz com a hora de dormir, pois, coberta em sua cama, com os olhinhos fechados, podia voltar àquele seu mundo doce e mágico, recheado de aventuras. Falava pouco e não tinha paciência para as pessoas. Gostava de imaginar. Transformava toras de madeira em cavalos encantados, folhas secas em longos cocares indígenas, e como na Terra do Nunca, ela foi crescendo assim. Um dia, seu mundo ameaçou ruir, numa manhã ensolarada, ao despertar de um sono tranquilo, sentou-se na cama, apoiou os pés no chão, e procurou com eles seu chinelo. O susto! Somente nesse momento, percebeu que o calçado não lhe servia, parecia um gigante esmagando aqueles dois sapatinhos de boneca. Colocou as mãos sobre o rosto e com um triste ar, percebeu que os anos se passaram, mas ela, continuava a se sentir aquela doce e inocente boneca. Recuperou-se do susto, saltou de uma vez, e uma vez que os sapatinhos não lhe cabiam mais, começou a dançar descalça pelo quarto.

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