Arrumando as caixas com coisas da infância, adolescência...Revistas com os ídolos da época, posters, material do colégio.. provas, trabalhos, cadernos, tanta baboseira, bugiganga, mas tudo teve seu espaço dentro dessa minha longa existência de 23 anos. Muita coisa foi jogada fora, já passou seu tempo, as lembranças são gostosas. e a cada caixa aberta, novas descobertas! Novas lembranças, uma nostalgia gostosa... Outras coisas, importantes demais para se jogar. Vão ficar guardadas por mais um tempo. Até me esquecer delas novamente e as redescobrir daqui muitos anos a fio. Porque o dia hoje foi de redescobertas. Brinquedos antigos. Aqueles gameboys pré-históricos, que hoje em dia, qualquer criança tiraria o maior sarro. Nem todas as recordações eram boas, claro. Mas o fato de ver todas aquelas coisas juntas, todo aquele material, de muitas épocas diferentes, da escola, de antes dela, da faculdade, do cursinho, do teatro, tudo junto. Cultura material de tempos e espaços distintos, dividindo o mesmo aqui e e agora. Isso foi incrível. Perceber o quanto eu cresci, envelheci, e amadureci. Por mais triste que possa soar o inexorável fluir do tempo, e sua efemeridade, a vida nos escorrega pelos dedos, é de matéria tão frágil, ainda sim, é lindo olhar pro passado e ver a minha história. A noite também foi de reencontros. Rodízio de pizza com algumas amigas da faculdade de física. Encontro que muito tempo não ocorria. Algumas lembranças, perguntas sobre as mais diversas pessoas. Tive que remoer as entranhas da minha memória.
Por mais que tenham me feito bem, todas essas recordações, todo esse cinema do meu passado, a certeza de que não sou mais a mesma, não sou mais essa garota que vocês conheceram e, ainda mais importante, a crença de que mesmo sem saber o que eu sou, nessa crise que venho passando, tenho a sensação, a feliz sensação de que aquele meu eu do passado, passou, fez jus ao seu tempo, e hoje sou uma confusão de histórias, e lembranças. Ainda que tenha muitas outras lembranças bem melhores do que as que tive hoje, ainda que minha história, tenha melhores capítulos, foi bom poder reeviver as descobertas de hoje.
Só um grande aperto no peito, no fim da tarde... ao encontrar as duas maracas, uma preta com o cabo vermelho, outra amarela com o cabo rosa, que ganhei da Lala, no último dia de aula do colegial. Cruzamo-nos no corredor da diretoria. as duas chorando, nos abraçamos, falamos coisas bonitas uma para outras, de como sentiríamos saudades de tudo aquilo; ela me presenteou com aquelas duas maracas dela, para guardar de lembrança...
Doeu... guarda-las-ei para sempre...
2 comentários:
Que lindo seu texto, Ka!
Me emocionou! Até pq eu tava lá junto recordando essas coisas e compartilho dos seus sentimentos.
Bjokas ao som de maracas!^^
tão bom esse momento de volta ao passado... adoro fazer essas arrumações, rever pedacinhos especiais do q vivi!
beijão
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