4 de mar. de 2014

o abandono da vergonha

Ela cresceu sob o signo cíclico da natureza. semeava-se e colhía-se tempos depois. Sempre frutificando. Sempre renovando. Reinventando-se. Até o dia em que a semente secou, e a planta não deu frutos. Muito mais do que o medo por não saber o que estava acontecendo, nem se a natureza encontraria um meio de sobreviver, ela caiu em desgraça pela vergonha da sua falha. Assim, permaneceu, em imóvel mutação, preenchida pelo embaraço, de tal forma que o tempo congelou. E, num passe de mágica, quase como um milagre literário que ninguém saberia explicar, aquela planta vazia, encheu-se de vida, e afastou o vento gélido, ao semear-se mais uma vez. Agora, poderia viver despreocupada. O ciclo reiniciara-se e a vergonha da missão não cumprida, podia finalmente abandonar seu coração. 

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