Quando estava na sala de espera de um consultório de oftalmilogia, com minha mãe, nasceu em mim uma personagem. Comecei a ambientalizar sua vida e depois, em casa, comecei a escrever. Dias depois, sua história me foi apresentada, e hoje, apresento-lhes o primeiro capítulo de uma personagem digna de minha admiração. Temos muito em comum, e talvez ela seja a representação inconsciente das minhas vontades, ou mesmo o meu profundo eu, enterrado pela minha criação. O certo é que eu a pari, é sangue de meu sangue.
Minha mãe morreu quando eu tinha 7 anos.
Não conheci meu pai.
Ele abandonou minha mãe logo que soube da gravidez.
Não era homem de família.
Até onde sei era um covarde valentão que divertia-se por aí. Você sabe, um desses caras que se acham o máximo, os donos de si, quando na verdade são uns bebês chorões.Bancam a pose e na hora do vamos ver, fogem com o rabo entre as pernas. Deveriam ser todos apagados, exterminados. Esses homens me dão nojo.
Como não tinha parentes próximos, fui para um convento, onde fui criada com as freiras e com a palavra divina. Besteira. É de se esperar que eu me tornasse o que sou com uma criação dessas. Ouvindo as baboseiras escritas num livro milenar, e as injustiças que ele tem como certas.
Se eu acredito em Deus? Deus é que acredita em mim!
Minha mãe tinha um fascínio por História, e sempre me contava histórias dos mitos gregos. Não é à toa que ela me batizou com um nome de uma deusa grega. Não poderia ter escolhido nome melhor.
" Tudo que se eleva acima da sua condição, tanto no bem quanto no mal, expõe-se a represálias dos deuses. Tende, com efeito, a subverter a ordem do mundo, a pôr em perigo o equilibrio universal e, por isso, tem de ser castigado, se se pretende que o universo se mantenha como é. "
Ela era conhecida como a deusa da Justiça, da Vingança, do Destino e da fúria dos deuses, aquela que aplicava o castigo devido aos mortais que não respeitassem as leis do Olímpo. Ela também era chamada de "a inevitável", e seu nome é usado para descrever o seu maior inimigo. Só que nós temos uma pequena diferença. Ela, preservava a ética, a moral e os tabus divinos. Eu, não tenho moral ou ética. Sou livre! Isso me torna ainda mais perversa. E uso o termo perverso no seu mais puro e positivo significado. Minhas ações são determinadas pela Natureza, que assim me fez e tudo o que faço é advindo de suas forças, é puro, é essência. Julguem-me se assim quiserem, não dou a mínima. Não sou nada mais do que Humana. E como poucos, entendo o significado de humano e aceito suas concepções fétidas e não me camuflo numa moral estuprada de sorrisos e atitudes de paz. Afinal, somos todos pecadores, ninguém é inocente. E o maior pecador de todos é Deus. Quer pecado maior do que a criação?!
Agora vocês já me conhecem.
Muito prazer.
Eu sou Nêmesis.
Um comentário:
Oi! Muito obrigada pela visita e pelo comentário! Fiquei muito feliz que gostou!
Tb gostei do seu blog, mas to numa visita rápida...quero ler mais afundo! Vc me parece mto criativa! adoro criatividade e sensibilidade! tenho certeza q vou gostar de td!
beijos
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