Eu tinha tanta coisa para falar.
Palavras que há muito ensaiavam para construir um texto.
Um desabafo filosófico.
Um despejo de sentimentos de um copo que já transbordou e está inundando o quarto.
Um diário aquoso, batido num liquidificador.
Destruído, esmigalhado, desconfigurado, desestruturado.
Tanto argumento, tanta tese e antítese, tanta retórica e sofismos, e até um pingo de demagogia, por que não, tudo calado.
Mudo com ataduras na boca.
Anestesia nas pregas vocais.
Um vendaval de emoções, um jogo de palavras poéticas, um ideal, tudo ficou quieto agora.
É uma dor que acalma. Um sorriso que aflige. Um desespero reconfortante.
Um anseio pela morte que trará a vida.
Lágrimas secas, de areia caem dos olhos vermelhos de sangue.
Tudo parado.
Tudo imóvel.
Um silêncio que diz mais do que as palavras.
Essas palavras que tanto ensaiavam, na estréia fogem, não por medo, mas simplesmente porque o silêncio às vezes comunica com mais efeito e propriedade do que as ações das palavras.
O silêncio é o melhor aplauso.
Só lhes digo mais uma coisa, Eu sou a linha tênue que há entre a perversão e a inocência.
Mas o que isso tem a ver com o resto eu não sei...
Um comentário:
Bravo !
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