21 de fev. de 2008

Vermelho sangue

às vezes quero desistir. Entregar-me a minha loucura. A resistência é desgastante. Acaba com as minhas forças e é preciso ter forças para seguir lutando contra a maré. Ir contra a corente é algo muito difícil, exige muito. Quando se é minoria num mundo descompassado, a força se mede pela quantidade esmagadora de criaturas. Sim, criaturas. Não dá para chamar essa gente de seres humanos. Eles não tem nada de humano. Acham que só porque choram vendo comercial de margarina, são sensíveis, os "tomadores" dos males do mundo. E chamam a isso de humanidade, quando humano não tem nada a ver com essa falsa moral que eles mesmo inventaram. Ser humano não é renegar as raízes animalescas, transformando o instinto em algo inferior e cruel, maléfico. Não. Por sermos capazes de recionalizar, achamo-nos passíveis de atos bondosos. nos esquecemos que o bem e o mal é uma criação nossa. E dessa criação surge toda a moral que há no mundo. Fundada em bases erroneas. Ser humano é sim ser um ser racional, mas que entende seus instintos e tem a noção dos motivos pelos quais determinada escolha é feita. É ter conciênscia dos porquês e das intenções. Não é ser mais uma engrenagem na grande máquina do sistema. Não é ser um títere, que acha que qualidade de vida é ter tv a cabo, internet banda larga e uma boa poltrona no sofá da sala. E, no meio dessa massa, nós, os avessos, enfrentamos uma avalanche diária. E às vezes o pensamento de desistir, deixar-se levar pela onda, ser ignorante, torna-se uma possibilidade para uma vida "feliz". Afinal lutar o tempo todo além de desgastar, é dolorido. Todos os ferimentos não tem tempo para cicatrizarem. E a cicatrização às vezes se torna uma benção. Quando sangramos por todo o corpo, nossa alma quer descanso. E se caímos na batalha, somos pisoteados e levantar-se torna-se ainda mais difícil. Mas não vou desistir. Não posso. Disso depende minha vida. Dessa luta constante pelo meu ideal, mesmo quando estou em desvantagem e não tenho os artificios liberdadores e preciso me submeter aos "costumes" da maioria, para depois dar o último golpe. A liberdade é um prêmio que compensa todos esses ferimentos. Hoje, posso ter sido atingida, mas amanhã tenho a chance de revidar. E vou revidando até conseguir, de uma vez por todas, me libertar das correntes! Isso me custa muito, só eu sei o quanto. Quantas coisas tive que perder por não ter o poder de lutar por elas. E ter que perder aquilo que mais almejamos por não ter as condições de mantê-lo é o pior golpe que uma pessoa pode levar. Mas sigo em frente, na esperança de recuperar e consertar o meu mundo.E eu vejo, que nem tudo está perdido. Que existem pessoas como eu, nessa luta. Elas sofrem tb, mas garanto-lhes que viver assim, é muito mais próximo do signifiado da palavra vida do que ser mais um na multidão. É muito mais recompensador. Agora não penso mais em desistir. Já tenho forças para mais uma guerra.

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