27 de out. de 2010

da paixão que mora no peito...

ela queria escrever. precisava escrever. escrever para ela era como dar vida ao turbilhão de desejos e vontades que morava dentro dela. pois ela sonhava demais. e sonhando, se perdia. e ao se perder, esquecia. esquecia a vida, esquecia o mundo, esquecia os amigos, os gostos, as sensações, esquecia-se de si mesma. ela adorava se perder, para depois se achar. e ela estava justamente nesse ponto do tempo de se encontrar. e para se encontrar, ela precisava soprar ares de vida à sua imaginação. sua imaginação sempre fora muito fértil. nossa! com que facilidade saía do "mundo real" e deixava-se morar pelos pensamentos... mas sempre chegava um momento em que ela lembrava. lembrava que precisava de coisas concretas, ouvir, tocar, cheirar... e o primeiro passo para ela, era escrever. não que ela realmente acreditasse que, como um passe de mágica, depois de uns cânticos estranhos em frente à um caldeirão, as coisas ganhariam vida, não! mas escrever era o primeiro passo para tirar as idéias da caixola e eternizá-las. imortalizá-las. assim, aquilo não era mais só dela. era de todos. existia. poderia existir uma esperança. ela precisava disso. esperança. e sobre o que ela escreveria? escreveria sobre a leveza de seus últimos dias? da alegria e dos sorrisos ao longo do dia, sem razões aparentes? do ar de menina-moça, boba, serelepe, dos cabelos pendulantes? da paixão que estava sentindo pela vida? por tudo? pelas pessoas, pela pessoa? escreveria de como finalmente deu as boas vindas à primavera? ou sobre sua intuição mais aflorada? ou sobre os seus silêncios? o falar pelas entrelinhas? como ela adora falar pelas entrelinhas!! sobre os olhos amarelos mel que agora brilhavam dia e noite? sobre todas essas coisas, eu diria. porque ela se sentia assim, radiante, livre. e queria que essa sensação perdurasse, transformasse. porque no fundo, ela sabia que precisava disso, antes que o amor murchasse, como aquela velha rosa em cima da cômoda, da qual nunca estaria livre...

Um comentário:

Tally M. disse...

ah, a primavera.... e os efeitos que ela causa nos meus amigos... só torço pra esse verão demorar pra chegar! rs