20 de dez. de 2010

Entre nuvens de algodão doce

Ela aprendeu a sonhar muito cedo, com os primeiros passos daqueles pezinhos brancos que davam vontade de morder. Sonhar tornou-se sua distração predileta. Aprendera a ter sonhos complexos antes mesmo de conseguir balbuciar as palavras corretamente. Seus sonhos eram como nuvens de algodão doce coloridas. E sonhando, foi crescendo. E crescendo foi sonhando. Nunca aprendeu outra maneira de se viver. E na infância, seus sonhos eram mais doces. Na adolescência, seus sonhos continuavam doces, porém, com uma certeza de que um dia seriam realidade que antes não a preocupava. Na fase adulta, ainda tinha sonhos de menina. Sua realidade era moldada pelos seus sonhos. E aprendeu a acreditar neles. E acreditou tanto, que os achou reais. E nesse mundo, acabou perdendo-se dentro dele. Não podia mais viver sem seus sonhos, porque não sabia mais distinguir o que era real e o que era utopia. Mas, com os anos que se passaram, a certeza dos sonhos foi-se perdendo, pois ao olhar-se no espelho, num dia ordinário, percebeu o inexorável fluir do tempo, e a sua dura e cruel realidade, que não polpa nem os mais lindos pés brancos de boneca de pele e osso. Percebeu que seus sonhos continuavam sendo sonhos. e que a realidade que ela não sabia distinguir, era um universo paralelo. Perdeu-se no desgosto, na desilusão daqueles que não podiam deixar de sonhar. Acreditava nos seus sonhos, e pensava neles o tempo todo. Mas perdeu a certeza. Perde a crença. Duvidava. Será que seus sonhos ainda acreditavam nela?

3 comentários:

Blower's Daughter disse...

Não deixe de sonhar! Eu te entendo, de verdade, eu vivo cada palavra deste texto. E sei como é viver sonhando e se deparar com uma realidade que não corresponde aos sonhos. E vão te dizer pra você parar de sonhar e viver a realidade. Mas o que é a realidade para alguns, não é para outros. E esse mundo que chamamos de "real", ninguém nunca o consegue viver em sua totalidade, só temos visões parciais do que seria o "mundo real", então por que se prender nele se nem o podemos ter na sua completude? Vamos sonhar! Pelo menos, no sonho tudo é possível, e que triste seria se nem ao menos no sonho as coisas pudessem existir!
Pelo menos, na ficção, na fantasia, no imaginário, as coisas podem ser do jeitinho que a gente quer, elas podem ser inatingíveis, mas estão alí. Eu não toco o que eu sonho, mas eu posso sentir! É, eu posso sentir mesmo sem tocar! E se eu sinto, é pq pesa aqui dentro e, se pesa, é pq é concreto, mesmo que abstrato. O sonho se faz concreto dentro de quem sonha! Então existe, de alguma forma! E o sonho nunca deixa de acreditar em nós, ele só morre pq nós o matamos, mas ele... ele nunca desiste da gente! A gente é que o abandona por achar que ele não vale a pena. A gente é besta! Eu sou e serei uma eterna sonhadora! Por mais que doa, por mais que seja difícil não abandoná-los já que o mundo se mostra tão cruel e condena tanto os sonhos! Mas resistamos!!! E sonhemos!!!

Te amo mais do que algodão-doce, hehehe!

Bjokas!!!

Tally M. disse...

os sonhos sempre acreditam em nós! e lembre-se: sonho que se sonha só, é só um sonho, mas sonho que se sonha junto, é realidade!
beijos

Felipe Pauzer disse...

Belissimo post!